Representatividade importa porque o contrário é exclusão e violência.

PUBLICADO NO LINKEDIN EM 19 / 05 / 2021

Carolina Videira (Ela/She/Ella) Especialista em gestão das diferenças, do ensino ao ambiente corporativo.

Partindo do princípio de que a humanidade é formada por inúmeras etnias, culturas, crenças e tradições, a pergunta que todos nós gostaríamos de responder é: por que apenas uma parte da sociedade é de fato acolhida e representada socialmente?

Infelizmente, a história foi construída não apenas por avanços e conquistas. Muito do que somos hoje é retrato de acúmulo de preconceito, desrespeito e desvalorização de determinados grupos. O pleno reconhecimento e valorização das diversidades humanas ainda é uma realidade distante. 

Por essa razão, precisamos falar tanto em melhorar a representatividade em todos os espaços. Devemos corrigir assimetrias históricas para construir uma sociedade mais justa. Cabe a todos nós, e principalmente de quem é parte dos grupos privilegiados até aqui, colaborarmos para a construção de um mundo mais justo, harmonioso e pacífico para dar um sentido melhor ao futuro. A educação é a chave para essa mudança.

Em algum momento da sua vida (pela televisão, internet ou qualquer outro espaço), é possível que você já tenha lido ou escutado a frase de que “Representatividade importa”!

É provável, também, que essa ideia tenha sido compartilhada em alguma reflexão ou discussão diante de temas ainda muito atuais, como: racismo, discriminação contra mulheres ou pessoas da comunidade LGBTQIA+, preconceito contra pessoas com deficiência ou tantas outras formas de exclusão na sociedade.

A representatividade, portanto, está totalmente conectada com as práticas da Educação Inclusiva.

Se somos seres humanos, por que será, então, que apenas alguns “tipos” de pessoas são mais representadas e aceitos na mídia, no mercado de trabalho, na política e em tantos outros lugares e contextos?

Justamente porque, ao longo da história foram (e ainda são) construídas diversas relações de poder entre as humanidades: grupos de pessoas e indivíduos, resultado de um processo de violências entre esses sujeitos, fazendo com que o mundo contemporâneo seja, em várias perspectivas, desigual.

Nesse sentido, havendo um grupo ou indivíduo acima dos demais (ou uma hierarquia), há a consequência de que os principais meios de comunicação, produção e socialização representem e atendam, com mais qualidade, apenas as pessoas que estão acima nessa estrutura.

A frase “Representatividade Importa!” evoca a necessidade de refletirmos sobre nossa própria condição, na sociedade plural em que vivemos.

Ser representativo é questionar os conteúdos que você consome, os lugares que você frequenta, as pessoas com quem você mais interage e as ideias que você divulga.

Faça o seguinte experimento: Ao navegar na internet, busque imagens utilizando o termo “Capa de revista para mulheres”, e observe: Quantas mulheres brancas, negras, indígenas e asiáticas você identifica nas capas apresentadas? Quantas delas são magras, e quantas são gordas? Quais são os principais temas abordados nessas capas de revistas?

Nessa experiência você poderá perceber que, na maior parte dos casos, há uma predominância de representatividade das mulheres brancas, magras e que estejam na moda, não contemplando toda a pluralidade de mulheres que existem na sociedade, e isso acontece em várias outras esferas e situações.

Diante de tudo isso, é evidente o quanto a representatividade necessita muito das múltiplas identidades, porque em um mundo plural, não faz sentido haver predominância de uma única voz, de uma única história ou jeito de ser.

Reconhecer seus próprios preconceitos e posturas discriminatórias é um passo importante. Sim, muitas vezes acabamos reproduzindo automaticamente discursos ou posturas preconceituosas pelo simples fato de que fomos ensinados assim. Não se sinta mal por carregar pré-julgamentos, mesmo que involuntariamente.

A Neurociência tem compreendido, por meio de muitos estudos e investigações sobre o cérebro, que todas as pessoas do mundo têm preconceitos, e que eles estão ligados a uma autodefesa com aquilo que é considerado diferente.

A missão da Turma do Jiló (uma ONG especializada em Educação Inclusiva) é compartilhar práticas simples que trarão enorme resultado para a sociedade, tais como:

–      Divulgar instituições, conteúdos e situações sociais em que exista mais representatividade, e as práticas inclusivas sejam alcançadas com mais qualidade, a fim de oferecer modelos positivos para as outras pessoas;

–      Incentivar a inclusão de outros pontos de vista, experiências e pessoas nas situações em que você está inserido;

–      Não ignorar situações de preconceito ao seu redor.

Que tal transformarmos tais ações em realidade, retransmitindo aos amigos, família e colegas de trabalho?

Por Carolina Videira [1]

Maicon da Cunha Ferreira [2]

 [1] Educadora, Mestre em Neurologia, Especialista em Inclusão e Gestão das Diferenças, Co-Fundadora da Turma do Jiló e da Escola de Impacto e mãe do João e da Maria.

[2] Educador da Escola de Impacto e da Turma do Jiló, Escritor, Formando em Letras: Português pelo Instituto Singularidades e apaixonado por arte e literatura na educação.  

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